terça-feira, 21 de outubro de 2008

Silêncio covarde

"As visões dos seus profetas foram falsas e enganosas. Se eles
tivessem condenado abertamente os seus pecados, tudo teria sido diferente e melhor para você. O que esses profetas fizeram foi enganá-la com mentiras" (Lamentações de Jeremias, 2. 14).
Alguns momentos de silêncio na Bíblia quando deveria soar um grito de defesa são bem conhecidos. Um deles é o chefe dos copeiros de Faraó, companheiro de prisão de José, o filho de Jacó. Ao ser inocentado e liberto, trata de cuidar da sua vida. Dois anos mais tarde cai em si: "Chegou a hora de confessar um erro que cometi", e narra ao rei como José interpretava sonhos com sabedoria vinda de Deus (Gênesis 41.9).

Outro momento é quando Elias desafia todos os israelitas e os 850 profetas de Baal e de Aserá: "Até quando vocês vão ficar em dúvida sobre o que vão fazer? Se o Senhor é Deus, adorem o Senhor, mas, se Baal é Deus, adorem Baal! Porém o povo não respondeu nada." É aí que Elias clama a Deus, que responde prontamente. O povo resolve obedecer a Deus, e os profetas idólatras são mortos, sem escape (1 Reis 18. 19-40).

Esperava-se do povo que lembrasse da história, quando o jovem Davi ouviu Golias zombar de Israel. Na ocasião, os soldados "ficaram apavorados" e "fugiram apavorados" (1 Samuel 17. 11 e 24), até que Davi respondeu à afronta, vencendo em nome do Senhor (1 SM 17. 51).

Silêncio não significa, necessariamente, deixar de falar. Pilatos falou, mas a atitude de lavar as mãos para dizer-se inocente tornou-se símbolo de alguém que deixa de cumprir o seu dever (Mateus 27.24).

Uma cena do livro de Atos é também emblemática: no apedrejamento de Estevão, um jovem toma conta das capas dos homens enfurecidos. Nada diz. Sabemos que "consentia na sua morte" (Atos 7. 58-60). É a primeira menção a Saulo, que depois será chamado Paulo, já pronto a dar a vida pelo Senhor (AT 20.24). O mesmo Paulo que instruirá seu discípulo Timóteo a pregar a mensagem "a tempo e fora de tempo" (2 TM 4.2).

Façamos assim, como também disseram Pedro e João, "não podemos deixar de falar das coisas que temos visto e ouvido" (Atos 4.20). O mundo será outro, quando rompermos o silêncio.

Ivo Augusto Seitz

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