sábado, 25 de outubro de 2008

Provavelmente

Em uma campanha comercial, os ônibus de Londres passaram a circular com cartazes provocantes: “Provavelmente não existe Deus. Agora pare de se preocupar e desfrute a vida”.
Imagino um cidadão londrino, ou alguém vindo de outro país, o que é muito comum nas ruas da famosa capital, entrando no ônibus para atravessar a cidade. Distraído, lê tudo o que aparece pela frente. Então vê aquele cartaz recém colocado. Lê. Não entende. Lê de novo. Alguma coisa não está certa, pensa, enquanto o ônibus continua a correr pelo lado esquerdo da rua, habilidade típica dos ingleses.
São quatro erros, caro passageiro. Um deles é negar a existência de Deus. Muitos já se esforçaram para isso. Mas ao tirarem Deus, deixam o universo inteiro sem respostas. Essas pessoas acham que podem substituir Deus por uma grande força ou uma extraordinária liberação de energia, A tentativa consegue avançar um pouco no campo da matéria, mas logo esbarra na ausência de explicação sobre a origem da vida. Mais ainda, da vida moral, a vida com razão de ser.
Mais um erro é fazer das preocupações algo descartável, que pode ser deixado de lado com uma simples decisão da vontade. Não funciona. A dor que estava ali continua, a dívida lá adiante nos espera sentada, o relacionamento quebrado só renova suas medonhas caretas.
O outro erro vem a reboque deste. Com a dor, a dívida e o desacerto não dá para desfrutar a vida em toda a sua inteireza. Nem mesmo na bela Londres, cenário de desconfiança, atentados e dores.
Felizmente, estes erros são corrigíveis. Quando reconhecemos Deus e deixamos Cristo dirigir nossa vida, vencemos a ansiedade e passamos a ter qualidade de vida (MT 11.28; JO 10.10; FP 4.6 e outros).
A novidade está no primeiro erro, o que abre a frase: “provavelmente”. É pura ironia, uma tática da comunicação, mas acaba denunciando a fragilidade da tese. Não assume. Deixa o julgamento para quem lê. Se der certo, fica com as honras. Se falhar, azar de quem acreditou. Era só uma propaganda comercial, mesmo.

Ivo Seitz

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